WORKS

Walking Thru The Sleepy City
Museu de Serralves (2024/25)
Porto, Portugal
Curadoria de Ricardo Nicolau
“Valentin Prepelita despediu-se de mim numa manhã de invernosoalheira. Tínhamos bebido uns copos de vinhoe fumado uns cigarros antes da partida. Estava contente por ouvir de novo vozesmoldavas a arrumar malas na bagageirado autocarro e por sentir que em poucos dias voltaria a comer mămăligă e borsch. Dei-lhe o dinheiro do bilhete e umas máquinas fotográficas descartáveis para fotografara viagem. Abraçou-me com uma lágrima no olho, sorriu e agradeceu o gesto. Disse-me que quando chegasse a casa do seu amigo dentista enviaria umas garrafas de vinho de Cricova e as máquinas por revelar. Os meses passaram e não voltei a ter notícias do Valentin. Decidi fazer a mesma viagem de autocarro e procurá-lo por Chișinău. Será isto sobre a busca do paradeiro do Valentin? Sobre a forma como lido com um território que me é estranho, que me encandeia os olhos com uma luz nova, numa pulsão que se esbate com o passar dos dias tornando-se familiar?"
Echoes of a Distant Time
NO-NO Gallery (2025)
Lisboa, Portugal

"Por estranho que pareça, o edifício abandonado é, hoje, porventura, um albergue de animais de rua e de pessoas sem casa: a sua aridez não impede que o tomemos como uma estalagem de porta aberta. Quem ali se acoitará da chuva?  E então as imagens de Miguel Marquês perdem a crueza porque nos deixam adivinhar presenças, ainda que fantasmáticas. Talvez Miguel Marquês tenha fotografado uma casa aberta, na cidade, e não um lugar vazio. Talvez as casas abertas, na cidade, pareçam sempre lugares abandonados. O que nos diz este albergue triste sobre as nossas cidades e sobre nós? Esta intimação é o correlato da obsessão de Miguel Marquês por este lugar, que fotografou como se nos reenviasse a nós a pergunta, sem que tenha tido a tentação de a responder." 
- Djaimilia Pereira de Almeida